• Lívia Borges

PERFEIÇÃO OU TOTALIDADE?

Atualizado: Abr 20

Por Lívia Borges


As emoções moldam a realidade que não se quer mostrar. Entre o aparente e a intimidade pode haver um abismo. Quantos aprenderam a lidar com as emoções contraditórias e desconfortáveis? No meio militar muitos foram ensinados a demonstrar força a todo custo, ainda que destroçados por dentro. Isso não seria problemático se a pessoa reconhecesse e aceitasse as emoções que não pode mostrar em um determinado contexto. O problema começa quando se generaliza a postura de ocultar e passa a negar tais emoções até para si mesmo.


Por medo de parecer fraco e sensível exibe força, ao mesmo tempo que consome sua energia vital em estratégias para esconder a dor, tristeza, vício, raiva, revolta, depressão, insegurança, medo etc. A tensão interna aumenta. O desequilíbrio se instala. A infelicidade toma conta. A probabilidade de errar e a irritabilidade nas relações interpessoais aumentam. O corpo se torna rígido e as feições endurecidas.


Ao negar algumas emoções ou imperfeições para demonstrar força ou perfeição, a pessoa fica fragmentada. A fragmentação a enfraquece, embora inicialmente dê a sensação de força e alívio. A busca pela perfeição serve para nortear a conduta, o autoaprimoramento, autocontrole e, sobretudo, acolher a totalidade de si mesmo. Jamais deveria se tornar um fim em sim mesma, pois sempre haverá a tendência de esconder aquilo que não é aceito em determinado contexto. Pode-se chegar ao extremo de acreditar que aquela emoção não existe, inflar o ego e se sentir superior aos demais.


A busca por atender às expectativas alheias também pode levar ao adoecer emocional, físico e social. O princípio da razoabilidade também se aplica às emoções. Na dúvida, lembre-se “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”.


Assim, o/a militar tem como desafio lidar com as emoções, expectativas da sociedade e as forças arquetípicas que envolvem sua atuação. Quando a injustiça, a violência e a opressão se instalam, fardas, armas e valores universais atualizam o arquétipo do guerreiro e do herói, ensejando ações sobre-humanas, mas não se pode esquecer o humano que há por traz, com suas incertezas e dualidades. Essa é a beleza e o equilíbrio em sua atuação. Desconhecer essa dinâmica produz reações inconscientes e repetitivas, erigindo secretamente prisões emocionais desnecessárias.

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Sugestão de leitura: Alma de guerreiro - transformar, servir e liderar como fonte de poder e cura (Psicologia, artes marciais e espiritualidade), de Lívia Borges

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