• Lívia Borges

O que será que eles querem: a mulher ou a mãe?

Atualizado: Nov 7

Por Lívia Borges


A resposta talvez seja outra pergunta, quando? Na correria do dia a dia os discursos cedem lugar a palavras e atitudes nada românticas. À exceção, é claro, de algumas datas festivas e tesão repentino. Observando os diálogos, chega a ser engraçado.


Hoje compartilho a história de uma mulher casada há mais de 15 anos, com dois filhos, um pré-adolescente e um de sete anos, vivendo os desafios da modernidade com a tripla jornada temperada com teletrabalho, lives escolares e seu lado empreendedor para se sentir realizada, valorizada e não somente a mãe de fulano, casada com beltrano, funcionária de ciclano. Ela queria ser ela, por ela! Assim começou, em plena pandemia, uma nova atividade.


Certo dia, ela estava correndo com os prazos para entrega de seus trabalhos como empreendedora. Acordou cedo como de costume, fez suas orações matinais, cuidados pessoais com a pele, cabelo e roupas e seguiu para a cozinha. Lá preparou o café da manhã, a lancheira da escola, pois o mais novo começou a ter algumas aulas presenciais. Adiantou o almoço, respondeu emails, colocou roupa na máquina, enviou mensagens do WhatsApp, deu uma espiada na conta do Instagram de sua nova atividade, curtiu as amigas, organizou a mesa das lives escolares do filho mais velho, tirou as coisas espalhadas na mesa de trabalho do marido, tirou o lixo, e pensou, será que estou esquecendo alguma coisa.... Ah, não deve ser nada importante, já paguei minhas contas, olhei os prazos.... Nesse instante sente o cheiro do feijão queimando na panela de pressão. Corre para salvar o que restou. Bem, já posso me preparar para sair. Detalhe importante, todos ainda dormem! E ela segue fazendo tudo com cuidado para não acordá-los.


Cansou ao ler? Imagine ela! E olhe que ela não é do tipo de fazer tudo, apenas faz bem rápido as mil e uma coisas do seu dia. Ela assume muitas coisas, mas também delega, embora seja impaciente de esperar dias para que algo seja feito, o que ela faria em poucas horas.


Um grita do quarto, mãeeeeehh! Lá vai ela ver o que é. Um filho é dengoso, pede carinho. O outro abusado, pede suco. E os limites? Bem, ela tenta. Tem horas que bate raiva, outras surge a culpa. Assim segue ela tentando ser perfeita seguindo as regras dos especialistas, mesmo com a ressalva de "não tente ser perfeita". Parece incoerente a ressalva com tantas regras e julgamentos. Mas ela não tem muito tempo para refletir sobre isso. E o marido? Ah, o marido, acordou. Está fazendo a barba. Depois ele segue para a cozinha e prepara sua especialidade: sucos! A cada dia uma combinação saborosa! Ali ele reina soberano. Ela deixa! Ufa, menos uma coisa! A vida segue. Eis que um dia ele sai antes dela e ela esquece de guardar o delicioso suco.


Chegam juntos em casa, após um longo dia de trabalho e demandas. De repente ela ouve uma frase com ar de reclamação vindo da cozinha. O coração dispara, o que ele vai reclamar dessa vez? Depois de tudo o que eu fiz, o que deu errado, o que esqueci? Não acredito que ele vai reclamar da bagunça que eu deixei na mesa. Relembra a culpa sentida em anos passados que resultou em cansaço e raiva. Agora encontrou outra maneira de lidar com a situação. Não é preciso brigar ou sofrer. Ufa, não era da bagunça, nem da louça suja, mas do suco. O suco havia ficado fora da geladeira. Logo aquele suco maravilhoso que ele fez com tanto amor.

Ela sorri, que pena né, querido! Depois de tudo que fiz, esquecer apenas uma coisa é normal. É, ele responde, tenho que agradecer a mulher incrível que você é e foi preparar o jantar para a esposa e filhos.


Mas não pense que isso chegue de repente ou venha como presente de casamento. Isso é construído com muita maturidade, sofrimento e amor, pois muitos homens aprenderam a ser servidos e ter a mulher, depois de "conquistada", como a mãe que continuará a servI-los. Isso tem mudado em algumas culturas. Ainda bem, pois a parceria precisa estar no sexo, na cozinha, nas contas, nas virtudes, nos cuidados, nos sonhos e na busca por aprimoramento.

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Por Lívia Borges, psicóloga, escritora, esposa e mãe.


Compartilhamos este vídeo que circula na internet por representar muito bem esta importante reflexão.

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