• Lívia Borges

Máscara x efeito zoom - da plástica ao autoconhecimento

Por Lívia Borges


Estamos mais expostos. Voluntariamente ou não, nossos passos são rastreados como tendências de comportamento que, posteriormente, virarão oferta de serviços, produtos e notícias, alimentando um ciclo que mobiliza emoções, crenças e finanças. Mas quando se trata de ver essa exposição na tela de um computador ou celular, muitos pensamentos e sentimentos diferentes podem ocorrer.


Se por um lado as máscaras diminuíram os corretivos no make diário, protegendo da publicidade as imperfeições, como uma espécie de liberdade provisória, por outro, o teletrabalho, lives e cursos online obrigaram a uma exposição rotineira em videoconferências. É natural que queiramos apresentar a melhor versão de nós mesmos, até porque muitas lives ficam gravadas e algumas timelines são públicas.

Gostamos do que vemos? Será que o nível de autoaceitação interfere na certeza do teor da percepção dos outros sobre nós? Muitas questões. Assim a autoestima é confrontada com os padrões “desejados”, não necessariamente desejáveis, já que podem ser inacessíveis, inadequados ou impostos. Estes são três “is” que servem como auxiliares excludentes para as escolhas de procedimentos invasivos, arriscados ou definitivos. Mas a promessa subliminar de felicidade pode suprimir uma reflexão acurada ao se apresentar como certeza de que cada risco ou centavo compensará. Será?

Cuidar da estética, entendida aqui como todo cuidado com a aparência que vai desde o asseio pessoal à elegância no vestuário, pode ser uma forma de respeito a si e aos outros, além de inspirá-los ao mesmo cuidado.

“O problema surge quando essa busca vira uma obsessão, distanciando-se da realidade do próprio biotipo, ou comparando-se com outras pessoas”, como enfatizamos na reportagem do SBT. E também quando não há espaço para imperfeições, equívocos, dificuldades, tristezas, doenças enfim, tudo aquilo que faz parte de nossa humanidade. Aceitar a dualidade e identificar as motivações e expectativas são formas de buscar aprimoramento sem se tornar vítima da padronização.




Lembremo-nos que além da estética aparente, precisa haver o fundamento da ética e o cuidado com o lado emocional antes de escolhas que acarretem resultados irreversíveis. O Ser antecede o estar e o aparentar. Sem o reconhecimento dessa essência nenhuma aparência é suficiente, pois careceremos da própria presença em nós. A imagem idealizada é como uma máscara invisível que impede a verdadeira essência de se manifestar. Máscaras e idealizações possuem finalidade, não verdade. Use-as com sabedoria, para que não se torne refém.


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Lívia Borges - psicóloga clínica e escritora.

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