Ei, o corpo de um bebê também tem regras!

Por Lívia Borges*


Das muitas incoerências que tenho visto nos últimos tempos, confesso que esta me entristeceu profundamente: a descriminalização do aborto pela Colômbia. Com tantos avanços no conhecimento da humanidade, aprimorando tecnologias, prevenção, tratamentos, descobertas, curas e métodos contraceptivos, entramos em franco retrocesso. Mais um país aderiu à descriminalização do aborto e pasmem, realizados até o sexto mês de gestação. É fácil desumanizar o feto para evitar a culpa. Narrativas são construídas como se fosse um apelo à liberdade. Vinte e quatro semanas correspondem a seis meses, o que representa um bebê formado o suficiente para sobreviver, como já ocorreu em vários casos de nascimento prematuro. Ele é capaz de ter percepções, sensações e reações na relação com a mãe, ou será apenas uma barriga, também desumanizada que cresce por fruto do acaso?


A liberdade de escolha da mulher antecede a gestação, exceto em caso de estupro ou quando sua vida está em risco, após isso, teremos que lidar com as consequências. E todas as situações geram consequências físicas, psicológicas, sociais, dentre outras. Mas estamos criando uma cultura narcisista, hedonista, imediatista, egoísta, infantil e irresponsável. Então, nada como disfarçar as motivações e construir narrativas pseudo-libertárias, mas de viés claramente seletivo, com o slogam "meu corpo, minhas regras".


Oras, o direito que se aplica à mulher, também se aplica ao bebê. O corpo do bebê tem em si todas as regras necessárias para se desenvolver e viver. Basta observar como processa, para o seu crescimento, todos os nutrientes que recebe. Ou teria o bebê menos direito que os animais e as plantas... É fácil deixar de comer carne, atacar o agronegócio, lutar em defesa da extinção dos animais e florestas, idealizar a pseudo-solução do desarmamento, levantar bandeiras de defesa das minorias e vulneráveis e, contudo, escolher eliminar outra vida totalmente indefesa. Isso é violência! Que vem sendo naturalizada ao se desumanizar e invisibilizar o direito do bebê. O corpo do bebê já tem um rosto, com suas características faciais definidas; já é capaz de sentir o sabor dos alimentos ingeridos pela mãe, já é capaz de reagir aos sons e tantas outras percepções próprias das regras de seu desenvolvimento natural. O bebê precisa que aquela que o abriga cumpra o seu papel e dê-lhe apenas a chance de continuar a viver.


Curiosamente, já fizeram um levantamento das características dos bebês abortados nos países que descriminalizaram a prática? Deixemos a ingenuidade de lado.


Nesses países, pessoas com alguma deficiência detectada ou suspeitada durante a gestação são privadas pelos pais de seu direito à vida, tudo com o aval do Estado. Parece economicamente conveniente. Bem, seja qual for a motivação, isso te lembra algum fato histórico?

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* Lívia Borges é psicóloga e editora, M.Sc em Ciência Política, cofundadora do Instituto Fidúcia e da Pró-Consciência, e Conselheira Suplente do Conselho Distrital de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos


Imagem: Web


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